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O papel da nutrição no diabetes

O número de diabéticos no Brasil é alto e cresce a cada dia.  A doença, além de silenciosa e demorada para se manifestar, causa graves danos a vários órgãos num longo prazo, o que exige muita atenção e cuidado. A nutricionista da Anjos do Lar Alini Faqueti esteve no jornal A Voz do Povo, da Rádio Conexão FM, onde falou com os ouvintes sobre o papel da alimentação nessa enfermidade. Exatamente, a diabetes tipo 2, a mais comum, é causada principalmente pela má alimentação, especialmente quando há exagero no consumo de açúcares.

A dr. Alini explica que há também outros fatores de risco para a diabetes, doença caracterizada pelo aumento do açúcar no sangue. São eles:

  • Vida estressante;
  • Vida sedentária;
  • Sobrepeso/obesidade;
  • Histórico familiar;
  • Idade avançada.

Os fatores de risco que podem levar à diabetes são bastante comuns entre os brasileiros, motivo pelo qual a luz amarela está acesa no país. Se você se encaixa em um ou mais destes fatores de risco, é importante que procure um profissional e faça um checkup. Esse procedimento deve ser anual, identificando ou não a doença numa primeira rodada de exames. Com o passar dos anos, vamos acumulando no corpo alimentos ruins, falta de atividade física entre outros danos, o que significa que a doença pode demorar um pouco a se manifestar.

Como posso saber se estou doente ou propenso a ter diabetes?

Você se encaixa em alguns dos fatores de risco acima? Sente muita sede ou vontade de urinar? Tem dor nas pernas com frequência ou um borrado na vista? Você come muito doce ou está com sobrepeso? Sente fraqueza com frequência? CUIDADO!!

A nutricionista avisa que diabetes não é o fim da vida, é um novo começo para se cuidar mais e viver melhor. Então vamos entender o que devemos fazer para tratar ou evitar a doença?

  • Procure um profissional e faça um checkup (anualmente);
  • Ao diagnosticar a doença, pare de consumir açúcar de qualquer tipo, seja mel, demerara ou mascavo;
  • Substitua alimentos refinados pelos integrais: arroz, macarrão, pão;
  • Coma apenas 1 carboidrato por refeição, complementando com outros alimentos;
  • Coma 3 frutas ao longo do dia, variando-as e sem fazer suco;
  • Opte sempre por cereais integrais, alimentos ricos em fibra e vegetais;
  • Tome bastante líquido;
  • Faça atividade física;
  • Sem puder não usar adoçantes, melhor, mas se quiser opte pelos naturais, como stevia ou xilitol (adoçantes artificiais não são absorvidos pelo corpo e podem causar câncer em longo prazo).

Quem escolhe não tomar os cuidados necessários corre graves riscos, uma vez que o diabetes pode dar complicações em vários órgãos do corpo. O açúcar é uma partícula grande que entope os pequenos vasinhos. Então pode haver problemas oculares, renais, no fígado, falta de sensibilidade nos pés e nas mãos e até impotência sexual.

Mas afinal, qual é a relação da diabetes com a obesidade?

De acordo com a dr. Alini, o sobrepeso favorece o aparecimento da diabetes. Ela explica que o corpo fica como se estivesse inflamado, o que ataca os vasos. Quando temos obesidade, as células, os órgãos ficam com uma camada de gordura extra que gera resistência à insulina, hormônio produzido para guardar o açúcar. Com isso, ele acaba não chegando aonde deveria chegar.

E a diabetes tipo 1?

A diabetes tipo 1 é a mais grave, pois apresenta maior deficiência de insulina, motivo pelo qual é preciso aplicá-la diariamente. Nestes casos, o cuidado é redobrado na alimentação também. Uma situação comum em quem tem esse tipo de diabetes é ter picos de hipoglicemia (queda brusca de açúcar no sangue). Nestes casos, é importante corrigir o índice, comendo uma balinha doce ou duas. A partir do momento em que estabilizar, volta-se à dieta e aos cuidados, entre os quais, alimentar-se de 3 em 3 horas.

Mande sugestões e nos acompanhe!

Mande suas perguntas ou sugestões de pauta para nós pelo email assessoria@anjosdolar.com.br ou pelo whatsapp 99758-0385! Podemos incluir sua dúvida em uma próxima participação no jornal A Voz do Povo. O programa vai ao ar todos os dias, das 7h às 9h, sob o comando da dupla PC e Peeter Lee Grando. A Anjos do Lar faz uma participação especial para falar sobre saúde nas terças-feiras, às 8h. Acompanhe a gente e participe!

Diabete antecipa um infarto em 15 anos

Em uma conversa exclusiva com a revista SAÚDE, o cardiologista David Fitchett revelou os riscos que a hiperglicemia prolongada causa ao coração — e o que a medicina tem hoje à disposição para minimizar esses danos. O cardiologista David Fitchett, da Universidade de Toronto (Canadá), é um dos maiores especialistas no mundo na interação entre o diabete e as doenças cardíacas. Nesta entrevista, ele mostra o tamanho da encrenca que o excesso de açúcar no sangue traz ao coração e revela as soluções modernas da medicina para lidar com isso.

Como o senhor se interessou pela relação entre diabete e doenças cardíacas?

Como cardiologista, eu notei que uma grande proporção dos meus pacientes apresentava diabete com impacto na sua doença cardíaca. Pesquisas recentes mostraram que mais de um terço das pessoas com infarto ou angina relatam ter diabete — e se você testar todos, verá que outros 15% tinham esse problema e não sabiam. Além disso, o diabete está associado com uma menor sobrevivência em sujeitos com males cardíacos. Sendo assim, eu fiquei especialmente interessado na prevenção e no tratamento de doenças cardíacas em pacientes com diabete.

Por que o diabete é tão perigoso para a saúde do coração?

Ele resulta em bloqueios da artéria coronária [que irriga o coração com sangue]. Vários fatores estão associados a isso, como inflamação da parede das artérias e maior risco de coagulação do sangue. Isso sem contar que o diabete afeta a função cardíaca, o que aumenta a probabilidade de falhas. Juntando isso, vemos que diabéticos são de duas a quatro vezes mais propensos a desenvolver doença coronária. Eles têm infartos 15 anos antes do que indivíduos sem a enfermidade e possuem um risco 50% maior de morrer por causa de um ataque cardíaco.

Apesar de várias medicações baixarem a glicemia, poucas demonstraram em pesquisas clínicas uma redução de morte por questões cardiovasculares. O senhor poderia comentar um pouco sobre isso?

Apesar de o risco de problemas cardíacos aumentar com o grau de severidade do diabete, nenhum estudo mostrou que, no curto prazo, baixar a glicemia agressivamente previne infarto ou AVC. É possível que um maior período de tratamento seja necessário para reduzir esse tipo de mal. Baixar a glicemia vigorosamente e logo no início do diabete provavelmente vai diminuir mortes relacionadas ao coração. Recentemente, o órgão regulador de medicamentos dos Estados Unidos apontou preocupações com drogas para o diabete que poderiam aumentar o risco de doença cardíaca e, por isso, passou a exigir estudos de segurança, especialmente em pacientes com alto probabilidade de infartar. Até ano atrás, as cinco drogas avaliadas se mostraram seguras, porém não reduziram o risco de doença cardíaca. Mas um trabalho recente mostrou, em três anos de tratamento, que a empagliflozina na verdade reduziu as mortes por problemas cardiovasculares em 38%. Foi o primeiro estudo a mostrar algo assim. Outros remédios da mesma classe da empagliflozina (antagonistas de SGLT2) estão sendo avaliados em grandes estudos clínicos. Teremos resultados nos próximos dois a quatro anos para saber se a classe como um todo é positiva para o coração. Outras duas drogas, a liraglutida e a semaglutida (agonistas de GLP1) mostraram reduções em complicações cardíacas mais recentemente. É, portanto, possível que mais drogas contra o diabete que minimizam problemas cardíacos sejam identificadas nos próximos anos em decorrências das várias pesquisas em progresso.

O senhor acha que a epidemia de diabete vai piorar ainda? 

Essa epidemia está longe de acabar. O aumento da obesidade e as baixas taxas de atividade física, assim como o envelhecimento populacional, esperamos que a quantidade de pacientes com diabete vai aumentar substancialmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou, em 1985, 30 milhões de adultos eram diabéticos. Em 1995, o número saltou para 135 milhões e, em 2002, para 173 milhões. A mesma entidade projeta que, em 2030, serão 366 milhões de adultos com a doença. De acordo com a Federação Internacional do Diabete, o Brasil está em quarto entre os países com maior número de diabéticos.

Fonte: www.saude.abril.com.br